O Google Wave daqui a pouco vai estar aí, nos nossos laptos, nos computadores do trabalho, no celular (para quem pode). Uns já pediram pra ser os primeiros a usar. Outros vão demorar mais ou menos tempo para se acostumar, como aconteceu com o Twitter recentemente. Uma meia dúzia vai resistir à novidade.
Fico imaginando o quanto isso pode impactar no nosso jeito de se comunicar. Não por se tratar de coisa do Google, que enche a boca de geeks. Mas penso no quanto isso "institucionaliza" a conversa informal, sem muita barreira, sem demora, sem entrave — e todos seus benefícios (como poder coversar como em um local público) ou dar derrapadas e dizer o que não deve (tipo, mandar aquele e-mail enganado ou escrever na janela errada).
Pra quem não sabe, o Google Wave, que deve ser liberado até o fim do ano, une comunicação instantânea (MSN, Yahoo Messeger, Google Talk), que fica registrada (e-mail), pode ser pesquisada (busca), editada (processador de texto), publicada (plataforma de edição), compartilhada (Orkut, Flickr, Facebook, tudo junto). Aqui, em inglês, tem bastante informação. Não custa procurar uns manuais em português também.
Pensando da perspectiva do Jornalismo (sempre), o quanto se ficará sabendo das coisas antes de serem publicadas. Ou assim que os primeiros sites publicarem, em grandes conversações públicas que podem ser estabelecidas. Indo mais longe (já é idealismo, mas tudo bem), vira quase que um parlamento, uma conferência, uma audiência, uma assembléia a pessoa poder se expressar e receber respostas em tempo real, coletivamente.
Pode ser bobagem, mas o quanto isso pode impactar nos (já velhos) comentários de sites, lá estáticos, sempre reclamões, às vezes trogloditas, que não tem réplica nem tréplica e mofam nos servidores? Quanto pode impactar na necessidade de ter um blog (o Twitter meio que já vem detonando com isso)? O quanto deixa a comunicação mais fluída, mais falada (mais crua) e menos registrada, menos trabalhada, menos editada?
Fluxo de consciência coletivo em tempo real, parecido com o que o Twitter é (embora este seja talvez mais estático)? A comunicação cada vez mais viva, mutante (caracter-fonema ao mesmo tempo), agregando tudo o que as bordas brancas dos livros, por exemplo, limitam? Tudo o que há de principal e periférico, idéias brutas e lapidadas, horizontalidade de personagens, a bagunça toda de uma falação continua. Divagações, mas valem como exercício futurista.



